terça-feira, 27 de março de 2012

...e Vicenzo resolveu voltar. - Por Rose Fávero


Num sábado Vicenzo foi a uma festa de casamento com minha filha e meu genro, pra ver como era um casamento Wave aqui no Brasil.


Chegando lá conheceu Barbie. Ela estava vestindo o mesmo vestido, a mesma tiara e até a mesma jóia e o buquê da noiva. Isso foi uma homenagem que fiz pra Juliana, a noiva, pela amizade de infância com minha filhota  Natália.
Meu pai e a Barbie tomando cafezinho e conversando antes dela ir pra festa.

O Buquê.



Juliana e o marido, lindos!


A noiva Ju, a Barbie e minha filha Nati!!!


Barnie com o modelito da Ju, ficou muito fofa.

Vicenzo bateu um longo papo com a Barbie e isso fez brotar  a saudade de sua namorada, que deixou na Itália. Na noite que se seguiu, nem dormiu.  Acordou com a decisão de voltar e pedir a namorada em casamento. Ah... como estava feliz.
Pediu que eu fosse com ele escolher as alianças. Queria comprar tudo!! Como ele é indeciso, horas de escolha...

Quando viu o porta jóias ficou doido pra comprar!!
Mas o foco eram as alianças, mesmo assim pediu pra vendedora mostrar tudo, haja paciência hahahahaha.








O Vicenzo aproveitou e comprou o óculos de sol que está usando na primeira foto.


Tinha umas pulseiras bem bonitas!!







Finalmente escolheu, já estava até escurecendo quando a gente saiu.


A vitrine da Joalheria.




Antes de ir foi até a casa da Nati pra se despedir, bateram papo, tomaram café e comeram muito Ferrero Rocher. Olha a bagunça que fizeram na sala.rsrsrsrs


Essa mesa da perna grossa foi feita por mim, rsrsrssrs.



E  lá foi ele, passagem secreta adentro... Ciao Vicenzo, boa sorte!!!!!

***


Porém, Vicenzo ficou tempo demais sem dar notícias pra sua amada Isabella.

***

Quando dei por mim, 2 dias depois encontrei Vicenzo prostrado na cadeira, chorando, amargurado com as alianças na mão.
 "Ela cansou de esperar", ele disse...
Bom, vai devolver as alianças, tadinho.  
Espero que  logo ele se recupere. 




Até a próxima!


quinta-feira, 8 de março de 2012

A surpresa de Vicenzo - por Rose Fávero

Vocês se lembram da visita que fiz à minha avó, na Itália, não é? Pois bem, lá conheci Vicenzo, rapazinho aimado, bem disposto, trabalhador das plantações de uva e muito a fim de conhecer novas terras e viver novas aventuras. Quando me despedi, pediu para vir  comigo e conhecer o Brasil. Não poderia deixar isso acontecer, afinal, se ele saísse do meu mundo de fantasia, chegaria aqui como boneco, rsrsrsrs.
Qual não foi a minha surpresa, quando ontem descobri que o danadinho veio sem que eu o visse!!!
Olha ele alí, se escondendo atrás do pé da mesa!  


Fiquei muito brava!



Depois fiquei com pena e pedi que se explicasse. Sentei-o sobre o tabuleiro de xadrez e lá ele falou com a boca e com as mãos, como um bom italiano, rsrsrsrsrsrs.
Disse estar se sentindo preso, sempre no mesmo lugar, então resolveu conhecer o mundo e me seguiu, porque sempre via meus passeios até a casa da minha avó, viu até o dia em que fui à Toscana.
Depois disso, não me deu mais nenhum minuto de sossego, a não ser quando saiu pelo mundo pra conhecer a Índia. Mas ele gostou mesmo, foi de Minas Gerais.


Quem disse que agora tenho paz? Pra todo lado que vou, lá vai ele comigo.


Me acompanha nas idas e vindas ao trabalho e também me ajuda na escolha das roupas que faço. Vive dando pitacos nos meus modelos. rrrrrrrrrr
Olha o Vicenzo olhando se a saia que fiz está bonita!!


Gostou da calça e já foi logo vestindo, como se fosse dele, rsrsrsrs.

Também achou muito bonita a saia de pregas. 


Mas ele gostou mesmo foi da camisa, já foi tomando conta, tudo bem, dei de presente pra ele. Foi com ela que viajou pra Índia e na volta passou em MInas Gerais.




Também ajudou a fazer o vestido ...que ele não quis provar de jeito nenhum hahahahaha.
Ah! Vicenzo, algo me diz que vc ficará por aqui um pouco mais.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Viagem para a alma - Por Rose Fávero

Foi quando fiz uma viagem a alma de minha avó, que tive vontade de reproduzir o farol e as cadeiras que fizeram parte de sua infância.
As fotos completas estão abaixo, no texto.

Senti uma saudade de minha avó... Já não a via há mais de 20 anos... Foi quando tive a idéia de visitá-la. Me  espremi  pela passagem secreta do ateliê de miniaturas e fui.
Andei por encostas, vales, mares. Passei pelas praias de Positano, cheia de pedrinhas no lugar de areia, mar azul transparente. Cheguei até o lugar onde morou na infância antes de vir para o Brasil, Radda in Chianti. Morava no campo, então fui descendo a colina dourada pelo trigo e de longe pude ver a casa de pedra e os vinhedos da família Ricasoli, que a circundavam. A medida que fui chegando pude ver a casa ‘crescendo’, mostrando o detalhe das pedras cor de areia nas mais claras e um ocre levemente acentuado nas escuras, algumas até quase chegando a um siena queimado. As telhas em barro emolduravam as paredes que tinham janelas e portas em madeira pintadas de turquesa. Era uma casa simples, mas linda.
Tinha dois pisos, embaixo era usado pra guardar mantimentos e sementes que se usaria na próxima plantação. Logo chegaria o inverno e tudo aquilo se cobriria de branco. No piso superior, três quartos tinham as janelas voltadas para o vale ao fundo. Uma sala grande e uma cozinha menor com fogão de ferro que servia para aquecer a casa no inverno. Os banhos eram tomados (raramente) em bacias de ágata guardadas  sob a cama. Havia ainda uma escada, também de pedra,  que levava ao piso superior. Em cada degrau um vaso com  gerânios floridos.  No último pude ver  minha bisavó com um grande avental branco trazendo nas mãos uma jarra de água com rodelas de limão siciliano. Ao lado da casa pude ver o caramanchão de Glicínias lilases contrastando com o resto. Sob as flores, numa cadeira de madeira empalha com junco avistei minha avó. Lá estava ela, em seu vestido florido, tal qual eu me lembrava. Quando me viu, levantou-se e colocou a mão em forma de aba sobre a testa, como a tapar o sol e poder enxergar melhor. Percebendo que era eu, abriu um sorriso enorme, tão grande quanto ela mesma, uma italianona com seus cabelos brancos presos num coque baixo, logo acima do pescoço. Eu adorava pentear seus cabelos longos quando era criança e ainda estava comigo. Ainda usava o mesmo brinquinho dourado em forma de losango com uma pedrinha de rubi no meio.
Nos abraçamos. Senti o calor do seu corpo passando para mim um conforto inexplicável. Chorei.  Segurou meu rosto com suas mãos enormes e disse que queria olhar para mim.

Me abraçou novamente e então nos sentamos naquelas cadeiras que eu me lembrava da infância. Tomamos a água saborosa que minha bisavó havia trazido e conversamos por  horas sob a sombra do caramanchão. Fomos dar um passeio até o farol, como era grande, tinha uns 60 metros de altura, dava até uma certa tontura olhar para o topo, onde estava a luz. Ela me contou, que quando aos 15 anos embarcou  para o Brasil fugindo da fome, pode ver do navio, a luz do farol por muito tempo. Ficou olhando para ele até sumir completamente. Disse que foi dele que mais sentiu falta enquanto viveu. 

O sol já baixava no horizonte,  hora de ir. Abraçamo-nos novamente. Tomei o caminho de volta levando comigo a lembrança do farol, das cadeiras e dela, no coração.  Do alto da colina, olhei para trás e lá estava ela, com o braço erguido e a mão em aceno.  Lá no fundo da minha alma pensei, vou voltar outras vezes e pude ouvi-la da mesma forma:  Estarei te esperando.
Passei de volta pela fenda do assoalho e deixei para trás a Itália, a praia de conchinhas e a minha avó.
As cadeiras foram feitas com palitos de churrasco e o trançado em barbante.

O farol